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⚡ Resumo Rápido
- Conceito Central: Laelaps funciona como uma "arma absoluta" na mitologia, uma vez acionado, o resultado da caça é predeterminado.
- O Paradoxo: O conflito com a Raposa Teumessiana cria um erro lógico, resolvido apenas por intervenção divina.
Laelaps
Laelaps, também conhecido como Lélape, entra na mitologia grega como um cão mágico do qual nenhuma presa consegue escapar. As tradições reunidas nas suas três fontes apresentam a mesma ideia central. Quando ele parte para a caça, o resultado é inevitável.
Há também um detalhe de nome que ajuda a acertar o clima da história. Lailaps é associado a vento de tormenta, a algo que chega rápido e passa por cima do que encontra.
A história de Laelaps até chegar a Céfalo
O começo mais relatado diz que Zeus dá Laelaps a Europa, e que o cão segue depois para Minos, rei de Creta. Mais tarde ele vai parar com Prócris e, por fim, com o herói Céfalo.
É com Prócris que a narrativa ganha corpo. Uma versão conta que Minos, marcado por uma maldição ligada a Pasífae, procura ajuda e acaba se envolvendo com Prócris. Em troca, ele oferece Laelaps e uma arma infalível, descrita como uma flecha ou lança que não erra o alvo. Prócris retorna então a Atenas, reconcilia-se com Céfalo e entrega a ele esses presentes.
Em outra tradição, o episódio assume um tom ainda mais dramático. Prócris volta para perto de Céfalo disfarçada, sem ser reconhecida, e caça ao lado dele. Céfalo nota que ela obtém sucesso onde ele falha e deseja ter a arma e o cão. Há uma negociação amarga, e só depois ela revela quem é. No fim, Céfalo fica com Laelaps e com a arma que não falha.
Até aqui, Laelaps já carrega a marca típica desses objetos míticos. Ele circula como presente, como prova de poder e como solução para problemas que parecem insolúveis, e quase nunca chega a alguém sem mexer no destino de quem o recebe.
Laelaps e a Raposa Teumessiana
A segunda história é a que fixou Laelaps de vez no imaginário. Nos arredores de Tebas surge a Raposa Teumessiana, descrita como uma criatura monstruosa que devasta a região. Ela também carrega uma condição divina, pois não poderia ser capturada.
As fontes preservam um detalhe duro sobre o desespero dos tebanos. Em algumas versões, para conter o estrago, a cidade passa a dar como oferenda regularmente uma criança para a raposa, como se o preço de sobreviver fosse alimentar o monstro.
O rei de Tebas busca ajuda. O nome que aparece com frequência é Anfitrião, que tenta resolver o problema e falha repetidas vezes. É nesse ponto que Céfalo entra na história, trazendo Laelaps para a caçada. A lógica é direta. Se existe um cão do qual nada escapa, ele é o candidato natural para enfrentar uma presa que ninguém consegue prender.
Quando a perseguição começa, o mito chega ao seu centro. De um lado corre um animal destinado a alcançar sua presa, enquanto do outro corre um animal destinado a não ser alcançado. O resultado é um impasse. A narrativa diz que Zeus observa que aquela corrida não teria fim e intervém para encerrá-la.
O desfecho mais citado é a petrificação. Zeus transforma cão e raposa em pedra, interrompendo a perseguição. Algumas versões também registram que a cena foi projetada no céu, com Laelaps associado ao cosntelação Cão Maior e a raposa ao Cão Menor, como homenagem permanente do episódio.
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