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⚡ Resumo Rápido
- Distinção genealógica: O texto esclarece a confusão comum entre "Centauro" (filho de Apolo) e a raça dos centauros, gerada pela união de Íxion com a nuvem Néfele.
- A origem do castigo: A punição na roda não decorre apenas do homicídio, mas da quebra dupla de confiança: matar o sogro e tentar seduzir Hera após ser perdoado por Zeus.
- Fonte primária: Baseado nos relatos de Diodoro Sículo, removendo elementos adicionados posteriormente pela cultura pop, como o fogo ou a localização específica no Tártaro.
O CASTIGO DE ÍXION
Na Tessália, junto ao rio Peneu, a história começa como começam muitas histórias antigas, com uma família. Peneu, um dos rios que receberam nome próprio nas tradições, teve filhos, e de uma dessas linhas nasce Estilbe.
Apolo se une a ela e dela vêm dois irmãos, Lápites e Centauro. Lápites fixa morada perto do Peneu e governa a região. Daí o nome do povo, os Lápitas.
A linhagem segue até um descendente chamado Perifas. Ele tem oito filhos. O mais velho é Antíon. Antíon se une a Perimela e nasce Íxion.
Íxion se casa com Dia, filha de Eioneu. Para conseguir esse casamento, ele promete ao sogro muitos presentes de noivado. O filho desse casamento é Pirítoo.
Depois de casado, Íxion não entrega o que prometeu. Eioneu toma as éguas como garantia. Íxion manda chamá-lo e assegura que vai acertar tudo. Quando Eioneu chega, Íxion o lança num fosso preparado com fogo.
Por causa da gravidade do crime, ninguém aceita purificá-lo do homicídio, e É aqui que entra Zeus. As tradições contam que no fim Zeus o purifica. E, no entanto, logo depois dessa purificação, Íxion se apaixona por Hera e ousa fazer investidas contra ela, justamente a esposa de seu redentor.
A resposta vem depressa, Zeus forma uma figura de Hera a partir de uma nuvem e a envia a Íxion. Enganado, Íxion se deita com essa nuvem, chamada Néfele. Daí nascem os centauros, com forma de homens.
Então, sem adornos, vem o castigo. Por causa da enormidade das suas más ações, Íxion é amarrado por Zeus a uma roda, e depois de morto, deve sofrer punição por toda a eternidade. No texto de Diodoro não fica claro o local do castigo, mas há versões que dizem ser no Tátaro ou no Hades.
Reliquias (Representações)
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1 - Ânfora com cenas do mito de Íxion. Cápua, Museu Provincial da Campânia.
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2 - Relevo em mármore representando o destino de Íxion, que foi acorrentado a uma roda que girava incessantemente no Hades . Séculos I-II d.C. (Museu Arqueológico de Side, Turquia).
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3 - Um sarcófago romano representando três figuras infames da mitologia grega , punidas por sua impiedade: Sísifo (que teve que rolar uma pedra montanha acima para sempre), Íxion (que foi amarrado a uma roda que girava eternamente) e Tântalo (que jamais pôde saciar sua sede). 160-170 d.C., Roma . (Museus Vaticanos, Roma).
Nota ao Leitor
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No texto de Diodoro, Centauro (no singular) é um nome próprio. Ele aparece como filho de Apolo e Estilbe, irmão de Lápites, funcionando como ancestral epônimo ligado ao nome dos centauros. Mais adiante, quando Diodoro diz que Íxion se deitou com a nuvem semelhante a Hera e “gerou os centauros”, ele fala do grupo (plural). Em outras tradições, como Pseudo Apolodoro, a própria nuvem “dá à luz Centauro” (singular), o que cria a confusão entre o indivíduo e a raça.
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Diodoro não diz que a roda está no Tártaro. Não diz que há fogo na roda. Não diz que há ventos. Não diz que Hermes executa a amarração. Esses detalhes existem em outras versões.
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